Essa é uma pergunta muito comum. Esse artigo foi criado para aqueles que estão no início da sua jornada, com o intuito de abordar, de forma abrangente, a filosofia e teoria Montessoriana, – que já possui mais de 100 anos de idade,- baseando-se nas diretrizes de aplicação do método reconhecidas pela American Montessori Society.
O Método Montessori é centrado no desenvolvimento integral das crianças, permitindo-as que também guiem sua educação. O respeito às suas identidades é um dos princípios fundamentais do método, e um ambiente de ensino Montessoriano é cuidadosamente planejado e preparado para atender às suas necessidades.
As crianças têm liberdade, nesse ambiente, para escolher materiais com base nos seus interesses e habilidades. Todo material está vinculado a uma lição, para ensino.
“Do nascimento até a idade de 6 anos, a criança passa por um período de intensa atividade mental – o que a permite absorver o aprendizado através do seu próprio ambiente, sem esforço consciente, de forma natural e espontânea.”
Maria Montessori com Crianças
O que é a Mente Absorvente?
Em 1949, a Dra. Maria Montessori publicou um livro chamado “A Mente Absorvente”. Ela acreditava fortemente na teoria de que a educação deveria ser centrada na criança, e dedicou-lhe a maior parte do seu trabalho.
O livro explica como, do nascimento aos 6 anos de idade, temos uma divisão entre períodos: o subconsciente (dos 0 a 3 anos) e consciente (3 a 6 anos). Mais além, temos os períodos sensitivos, que tangem o desenvolvimento de aspectos como a organização, linguagem, movimento, sentidos, matemática e bons modos.
Teoria Montessori – Qual é o papel dos Pais e Professores?
Pais e professores auxiliam as crianças, agindo como guias, observadores e preparadores do ambiente. Ao dar à criança a liberdade de mover-se independentemente na sala de aula, o seu instinto natural ao aprendizado move-a, dentro do seu próprio ritmo, a desenvolver-se e manter-se interessada na variedade de materiais disponíveis nas diferentes áreas e níveis de dificuldade do ambiente Montessoriano.
Frequentemente, os adultos interferem desnecessariamente no processo de aprendizagem, enquanto tudo o que a criança precisa é ser guiada, para que se mantenha dentro dos parâmetros do seu próprio desenvolvimento natural. Dada essa oportunidade, as crianças vão demonstrar um nível surpreendente de foco e concentração.
Filosofia Montessori – Preparação espiritual primeiro, lições depois
Uma vez que o professor treina no método e se prepara “espiritualmente” para dirigir uma sala de aula, pode então dar lições e exercícios, introduzindo os materiais. A partir disso, a criança guia sua experiência de aprendizado com as próprias mãos e com o controle de erro embutido das atividades, para que sua educação seja autônoma.
O professor observa a criança e sabe quando intervir para direcionar a criança novamente à atividade. Se a criança não estiver dando a atenção correta ao material, o professor poderá direcioná-la a encerrar a atividade – talvez, a criança não estivesse pronta para o material – ou a receber mais uma lição sobre o exercício. A criança aprende respeito com essas experiências.
Ambiente planejado
Além do treinamento integral dado aos professores, Maria Montessori implementou um método através do qual o ambiente seria planejado, para que nele existam amplas oportunidades para que a criança se desenvolva em seu próprio ritmo.
O ambiente deve ser um lugar que nutre a criança. Isso se dá não somente ao suprir as suas necessidades de auto-educação, mas também permitindo que a personalidade única da criança construa o seu próprio caminho de aprendizagem.
É importante ressaltar que a filosofia Montessori não vê a sala de aula como um substituto para a vida, mas como um meio para que o seu “potencial de vida intrínseco seja descoberto” – Montessori: A Modern Approach
Filosofia Montessori – Ambiente planejado
O professor e o assistente responsável devem planejar o ambiente para as idades de 2,5 a 6 anos. A sala de aula com idades distintas é essencial, pois cada criança se desenvolve em ritmos diferentes. Dentro desse modelo, as crianças recebem modelos inspiradores das mais velhas e ensino par-a-par entre as mais novas. As crianças mais velhas também adquirem responsabilidades ao demonstrar às mais novas o seu conhecimento.
Os materiais de boa qualidade e bonitos, simples e organizados, acrescentam um senso de ordem em suas prateleiras, na sala de aula,. O layout é separado em áreas: vida prática, sensorial, cultura, geografia, matemática e etc. Cada peça no material Montessori contém um ‘controle de erro’, que proporciona, à criança, a capacidade de se auto-corrigir; e ao professor, de observá-la, à distância, intervindo apenas quando necessário.
“A autocorreção leva a criança a concentrar-se nas diferenças de dimensões, comparando as peças.”
Filosofia Montessori – Áreas de aprendizagem
1 – Vida Prática
Exercícios de Vida Prática
A filosofia Montessori entende que uma criança encontra alegria em atividades cotidianas que adultos veem como entediantes ou trabalhosas. Ao presenciar essas atividades, ela deseja imitá-las. As atividades de Vida Prática são simples, precisas e envolvem atividades que a criança já viu no ambiente doméstico e, por isso, terá o desejo de reproduzir.
Benefícios da Vida Prática
Atividades de Vida Prática preparam a criança para que ela seja inserida no mundo de forma produtiva, efetiva e funcional. A técnica desenvolve a criança de forma integral, apurando suas capacidades motoras, domínio próprio, concentração, postura, bons modos, independência e autoestima.
O momento ‘ahá!’ da Vida Prática
O momento ‘ahá!’ dos exercícios de Vida Prática acontece quando se entende que eles não são somente sobre ensinar a criança a varrer a casa ou abotoar sua camisa. São sobre preparar a criança para a vida, desenvolvendo autoestima, auto suficiência, habilidade de resolução de problemas e outras qualidades, que vão ser tão importantes no cotidiano quanto na vida profissional ou acadêmica.
“Esses exercícios desenvolvem um entendimento do processo e da ordem envolvida em um ciclo completo de trabalho, que possui um começo, um meio e um fim. A integração do ‘eu’ e um entendimento do processo, que é o resultado desses exercícios, são importantes para qualquer atividade futura que a criança irá realizar.” – Montessori: Uma abordagem moderna.
Vida Prática – A estrutura da sala de aula
Os materiais da Vida Prática devem ser realistas, funcionais e quebráveis, remetendo à objetos que são usados no dia-a-dia. A Dra. Montessori não definiu um conjunto específico de materiais, porém criou categorias para incluir as atividades que observou serem mais relevantes para a vida e o desenvolvimento da criança.
A teoria Montessori define algumas áreas de Vida Prática, como:
Procedimentos básicos: verter e transferir líquidos entre recipientes, usar uma colher, abrir e fechar recipientes, pinçar e dobrar guardanapos;
Autocuidado: vestir-se (abotoar, amarrar, fechar um zíper), lavar as mãos, vestir um casaco, costurar, polir e preparar alimentos;
Cuidado com o meio: limpar a mesa, lavar panos, regar as plantas e varrer o pó;
Graciosidade e cortesia: demonstrar bons modos ao saudar, sentar-se e movimentar-se, exercer o silêncio (desenvolver a calma interior e aprender a ouvir);
Paz: baseado em três níveis de aprendizado e consciência: o eu interior, a sala de aula e o mundo.
O professor principal é responsável por criar e arranjar os seus próprios materiais, apresentando-os de forma bonita, limpa e organizada nas prateleiras da sala, com base nos princípios Montessorianos do isolamento da dificuldade (do simples ao complexo) e da preparação indireta. Enquanto o professor demonstra uma atividade, deve utilizar também o princípio da economia de palavras, para que as crianças prestem atenção nos seus movimentos, ao invés de sua fala.
A criança deve assimilar a atividade de forma que a possibilite, posteriormente, ensiná-la para qualquer outra pessoa, de forma autônoma e tendo pleno domínio daquela versão do exercício.
Materiais da Vida Prática
Os materiais de Vida Prática possuem um controle de erro, pelo qual, uma vez que a criança tenha sido introduzida a um exercício, irá guiá-la de forma autônoma à correção e ao aprendizado. Deste modo, terá controle sobre sua educação e seu ritmo de desenvolvimento, tendo liberdade para fazer escolhas ao que irão levá-la ao sucesso ou à falha. Rapidamente aprenderá como seguir seus próprios instintos e interesses.
As atividades de Vida Prática permitem à criança participar das diversas atividades cotidianas, desenvolvendo nela a autoestima, alegria e o senso de confiança. Quando pode cuidar de si própria, do seu ambiente e tem entendimento sobre o seu universo, se sente respeitada pelos adultos.
Quando a criança alcança disciplina interior e concentração – demonstrando-lhe ao terminar um ciclo de exercício completo -, mostra que está pronta para os próximos materiais da sala de aula, como, por exemplo, os materiais sensoriais.
2 – Sensorial
Teoria Montessori – Sensorial
“É necessário para começar o ensino dos sentidos no período de formação, uma vez que queira-se aperfeiçoar o desenvolvimento dos sentidos nos próximos estágios de ensino. A educação dos sentidos deveria começar de forma estruturada já na infância, e deveria continuar durante todo o período de educação, preparando o indivíduo para a vida na sociedade.”
A filosofia Montessori prioriza a educação dos sentidos ao desenvolvimento do intelecto. A educação dos sentidos de uma criança já se inicia no nascimento – ela vai recebendo suas impressões do mundo através destes. Ao redor de 2,5 anos de idade ela entra no período sensitivo, com o objetivo de organizar todas essas impressões. Assim como o alfabeto organiza a linguagem, o trabalho com o material sensorial organiza os sentidos.
“…a função do material sensorial não é apresentar à criança novas impressões (de tamanho, forma, cor e etc) mas para organizar e sistematizar a miríade de impressões que ela já recebeu e ainda está recebendo.”
Teoria Montessori – Material Sensorial
Maria Montessori criou os materiais baseando-se em evidências empíricas sobre crianças. Ela cuidadosamente pensou na melhor forma como poderia ajudá-las a ilustrar e expandir suas experiências, sistematizando cada sentido. Ela buscou criar um “sistema de objetos que compartilham uma mesma qualidade definida, como cor, forma ou dimensão”. Então, se dedicou a preparar um ambiente que providenciaria a oportunidade para a criança de interagir isoladamente com as “qualidades” de cada material.
A área sensorial é uma das cinco áreas gerais do currículo Montessori. Nela, enxerga-se a criança como um “jovem explorador” que busca estudar seu ambiente. Ao usar seus sentidos, classifica e cria ordem; entendendo, observando e aprendendo seu lugar no mundo. O principal objetivo do ordenamento e isolamento de conceitos específicos é de que a criança saiba adquirir e entender, de forma clara, as informações claras do seu ambiente.
Teoria Montessori – Exercícios Sensoriais
Os exercícios são divididos nas seguintes áreas, com um exemplo de material apropriado:
Visual – Escada marrom
Olfativo – Garrafinhas de cheiro
Gustativo – Garrafinhas de gosto
Tátil – Tábua lisa e rugosa
Visual (geométrico) – Caixa de triângulos
Auditivo – Cilindros de som
Estereognosia – Bolsa misteriosa
Extensões
Cada grupo de objetos representa uma mesma qualidade, mas em diferentes graus. Cada material dá ênfase a uma qualidade em particular, eliminando ou minimizando outras. Consequentemente, há uma distinção regular e gradual entre os objetos. Quando possível, existem materiais fixados matematicamente, como a “Torre Rosa” no sistema decimal.
Teoria Montessori – Objetivos do Sensorial
Os objetivos dos exercícios sensoriais são desenvolver a concentração, atenção e diferenciação visual. Indiretamente, também objetiva incluir a matemática, a leitura e a escrita: os exercícios sempre são feitos da esquerda para a direita e de cima para baixo, para que, posteriormente, essas habilidades sejam desenvolvidas. Também são incluídas palavras como “maior, menor, mais pesado, rugoso e suave” durante a prática.
Maria Montessori introduz os conceitos de Isolamento da Dificuldade e Controle de Erro, que são fundamentais para os exercícios sensoriais. Cada um desses conceitos, presentes nas atividades, dão à criança a oportunidade de controlar seu ritmo de aprendizado e de se auto-corrigir. O controle de erro é uma espécie de feedback automático do material, que diz à criança se ela necessita fazer algum ajuste para que complete o exercício de forma bem sucedida.
Nenhum professor precisa intervir no processo de aprendizado: “O objetivo é que a criança desenvolva um senso de satisfação com o trabalho, independente da aprovação de um professor” (A controvérsia Montessori, pg 90). A criança aprende a tomar suas próprias decisões e, consequentemente, a compreender seus instintos. Desenvolve confiança e habilidade na resolução de problemas.
Montessori chamava as crianças que chegavam nesse ponto de “normalizadas”, termo definido como um senso geral de autocontrole, concentração, independência, empatia e disciplina. A normalização é o maior objetivo da educação Montessori.
“Todos os objetos são ordenados de forma que exista um máximo e um mínimo que determine os seus limites, os quais, mais precisamente, serão definidos pelo próprio uso feito pela criança” – A descoberta da infância.
3 – Matemática Montessori
Teoria Montessori – Matemática
Os seres humanos nascem com uma propensão natural a calcular, raciocinar e criar. Entretanto, sem a condução e nutrição do meio, a capacidade de realizar esse pensamento é perdida. Para que se desenvolva e funcione em plena capacidade, as experiências da criança devem dar crédito à sua mente matemática intrínseca.
Então, para o desenvolvimento posterior de conceitos mais complexos, torna-se vital expor uma criança cedo à matemática. Sem essa exposição, o seu cérebro não será maduro para o pensamento crítico e a um aprendizado mais avançado, necessário à matemática. De certa forma, o cérebro irá rejeitar esse tipo de pensamento, por não estar preparado para aceitar o tipo de informação mais complexa requerida.
A Dra. Montessori dava ênfase às diferenças entre crianças e adultos. Adultos tem seu foco no produto enquanto crianças estão focadas no processo. Isso também se aplica ao ensino de matemática Montessoriano. Observa-se que é frequentemente difícil para os pais aceitarem a ênfase dada ao processo nas salas de aula Montessorianas.
Essa ênfase não demanda resultados do trabalho da criança. A sua prioridade está no desenvolvimento integral da criança. O desenvolvimento acadêmico é apenas um co-produto dos esforços feitos para desenvolver a criança como um todo.
“O foco não está na resposta – mas em como o seu filho encontra a resposta. Isso é contrário à forma tradicional de como operamos no mundo adulto, onde os resultados são o primeiro objetivo a ser alcançado.” Michael Duffy, Math Works
Filosofia Montessori – Matemática
Montessori promovia a crença de que a matemática, nos primeiros anos, prepara a criança para pensar lógica e criticamente. Em outras palavras, a matemática não consiste apenas na memorização de informações, mas deve ser introduzida na mente da criança através de formas e padrões de relações espaciais do ambiente. Ela absorve essas experiências no seu cérebro, tornando-a apta para um aprendizado posterior e mais complexo.
Pesquisas atuais sobre o cérebro indicam que os padrões de aprendizado já começam no útero. Na barriga da mãe os bebês já aprendem a diferenciar claro e escuro, dia e noite, tons e padrões de vozes, música e objetos em seu meio. A música e a exposição aos idiomas estrangeiros são muito benéficas às crianças.
Montessori afirmou em suas obras que crianças são atraídas à ordem. Portanto, rotinas são críticas para o desenvolvimento da criança, introduzindo-as ao pensamento lógico.
A Dra. Montessori não tinha o luxo da medicina moderna e as pesquisas necessárias para explicar ou alicerçar suas ideias. Porém, pesquisas atuais sobre o cérebro têm comprovado as suas conclusões.
Materiais de Matemática Montessori
Os materiais de matemática Montessori são multissensoriais e manipulativos. Isso garante que o aprendizado da criança com os materiais desenvolva simultaneamente muitas partes do cérebro.
Os materiais também conectam os lados direito e esquerdo do cérebro. Não podemos dizer que o lado direito processa linguagem e lógica. Nem podemos dizer que o lado esquerdo se inclina para a habilidade espacial e criativa. É um esforço de ambos.
Pesquisas atuais sobre o cérebro indicam que o hemisfério direito processa novas informações e desafios. Enquanto o hemisfério esquerdo gerencia as informações já familiares para nós, os materiais Montessori, como formas geométricas, conectam ativamente os lados direito e esquerdo do cérebro.
A matemática e o Desenvolvimento do Cérebro de acordo com a Filosofia Montessori
O lado direito do cérebro é o responsável pelas informações espaciais, enquanto o lado esquerdo cuida de um processamento mais abstrato. Porém, ambos os lados são necessários para o aprendizado. Além disso, os materiais Montessorianos permitem que a criança se auto corrija, ativando a parte do cérebro da criança responsável pelo pensamento mais avançado, o córtex frontal.
A criança fica diretamente envolvida no processo de descoberta de respostas, e nenhuma direção de adultos é necessária enquanto os materiais sensoriais são utilizados. Ela deve ser capaz de decidir por si própria se a sua conclusão está correta. Em muitos casos, alguns ajustes serão necessários para que o caminho para a resposta correta seja encontrado. Esse processo é onde as ligações neurais são formadas, no cérebro infantil.
4 – Linguagem
Teoria Montessori – Linguagem
Essa seção é uma introdução à teoria Montessori da linguagem.
A linguagem permeia todas as áreas da filosofia Montessoriana e o seu ambiente de aprendizagem. Uma criança nasce com tudo o que necessita para desenvolver a linguagem. Por isso, existem muitas formas nas quais adultos podem enriquecer esse aprendizado na criança.
Sabe-se que as crianças irão aprender a falar, desde que sejam expostas à linguagem. Ler e escrever, no entanto, precisam ser ensinados à criança.
Uma criança irá aprender as palavras que estiverem disponíveis em seu meio. É nisso que entra o adulto. Os adultos têm o poder de preparar o meio para o desenvolvimento da linguagem na criança. Em outras palavras, podem tornar esse ambiente rico em oportunidades de aprendizagem.
Sabe-se que a criança absorve a linguagem cedo, sem muito esforço. Ela cria um entendimento interno do seu ambiente. Precisa praticar, utilizando e repetindo essas mesmas palavras. Os adultos podem ajudar recitando-as de forma mais lenta e com clareza, ensinando palavras novas e utilizando-as em frases completas. A atividade dos três pontos é muito útil durante essa fase.
Conforme a consciência fonémica vai se fazendo presente, uma criança começa a entender que letras e combinações de letras diferentes possuem sons diferentes. Nesse momento, a criança já não está mais aprendendo sem esforço. A partir desse ponto, é preciso que ela começa a organizar o que absorveu. O alfabeto é um dos exemplos de como as crianças organizam esse aprendizado.
Adultos podem auxiliar com canções, rimas, poemas e ao soletrar palavras enquanto leem um livro. Jogar “eu espio” com letras e sons também é uma ótima opção. Sempre encoraje sua criança a falar por si própria. Conforme se torna mais e mais consciente, entende que ao juntar letras, formam-se palavras.
Filosofia Montessori – Preparação à escrita
Boa parte do trabalho em uma sala de aula da primeira infância é a preparação das crianças à leitura e escrita: o movimento da mão, da esquerda para a direita, e habilidades motoras finas. Escrever requer não somente que o cérebro entenda como algumas letras e sons se unem para formar palavras, mas também que desenvolvam-se habilidades motoras necessárias e a coordenação para segurar um lápis.
Um alfabeto móvel é uma das ferramentas Montessorianas que guiam a criança nesse processo. Com o alfabeto móvel, ela visivelmente cria palavras a partir de letras. O trabalho é feito com a “mão na massa”, de forma que a criança necessite usar suas mãos e sua mente linguística para criar palavras. Letras feitas de papel-lixa também criam uma experiência semelhante.
Como a Dra. Maria Montessori defende que seja feito o ensino de leitura e escrita às crianças?
Ao contrário da escrita, onde a criança tem controle sobre o que deseja transcrever com os símbolos, a leitura apresenta algo mais abstrato. Precisará organizar e posicionar os símbolos de palavras formadas por outras pessoas. Então, a criança deve primeiramente entender, e depois sintetizar o que leu. Leituras introdutórias, como “Bob ‘s Book”e “Miss Rhonda’ s Readers” são grandes ferramentas para ensinar os pequenos leitores.
5 – Geografia
Teoria Montessori – Geografia
A geografia Montessoriana é uma parte fundamental do ambiente Montessori. A abordagem é feita em duas partes: geografia física e geografia política. A parte política inclui estudos culturais e anti-preconceitos, de forma integrada ao Currículo da Paz, que a Dra Montessori criou enquanto morava na Índia.
A geografia Montessoriana não está tão arraigada como as sequências de vida prática, sensoriais, matemática e linguagem. Inicia-se com uma visão geral através de caixas aninhadas, desde o universo até o indivíduo. A sequência de lições se move de forma semelhante do concreto ao abstrato, começando com globos de papel, etc. Há bastante integração dos sentidos, assim como nas outras áreas.